Atividades do Projeto Morro como um país
Kiwi Companhia de Teatro/Cooperativa Paulista de Teatro
 
 
Seminário “Organizar o escândalo”
O teatro é a arte de organizar o escândalo:
ele deve mostrar o escandaloso e o obsceno
que o mundo se esforça por esconder […].
Se tudo estivesse bem, não vejo por que razão eu faria teatro.”
Matthias Langhoff
É atribuída a Bertolt Brecht a ideia segundo a qual uma das tarefas da arte e do teatro seria a de «organizar o escândalo público». Hoje, à luz das novas formas do capitalismo e da indústria cultural e diante do cinismo político, esta ideia serve como advertência e estímulo. Longe de toda provocação estéril, “organizar o escândalo” significa colocar no coração do debate público a função política da arte.
Organizar o escândalo vai reunir pesquisadores, artistas e ativistas de diferentes horizontes e áreas de atuação (teatro, audiovisual, literatura, performance, música, multimídia etc.) com a tarefa de apresentar exemplos e diagnosticar esta dupla dimensão da arte: de intervenção na pólis e de investigação estética.
Data
25 de novembro de 2012 (domingo), 10h às 18h30.
Local
Rua Teodoro Baima, 78, República, São Paulo.
Roda de conversa 1 – 10h às 13h30
Arte e resistência: encontros e desencontros entre estética e política.
Exemplos de ativismo artístico e social.
Intervenções: Dolores Boca Aberta, Evaldo Mocarzel, Peu Pereira, Movimento de saraus.
Roda de conversa 2 – 14h30 às 18h30
Arte e política: novas e velhas formas.
Exemplos de ativismo artístico e social.
Intervenções: Vídeo Popular (Coletivo Estudo de Cena), Kiwi Companhia de Teatro, Companhia Antropofágica, Coletivo Quem, Cordão da Mentira, Frente de Esculacho Popular.

Aberto ao público em geral e gratuito.

Encontro “Festa & ideias”
 
Kiwi Companhia de Teatro e parceir@s convidam artistas, ativistas, movimentos artísticos e sociais, coletivos e organizações populares para o encontro festa & ideias.
Música, teatro, performance, poesia, vídeo, instalação, fotografia, troca de arquivos, dança, roda de conversas, publicações, brechó, bebidas e comidas.
Data
01 de dezembro de 2012 (sábado), a partir das 18h (é matinê mesmo! já começa pegando fogo!).
Local
Rua Teodoro Baima, 78, República, São Paulo.
Todas as atividades são gratuitas.
O seminário Organizar o escândalo e o encontro festa & ideias fazem parte do projeto Morro como um país – A exceção e a regra, proposto pela Kiwi Companhia de Teatro com apoio do Programa de Fomento ao Teatro para a cidade de São Paulo, 2012-2013.
Contatos Dani Embón (11) 987067471 e Fernanda Azevedo 11 971787843 kiwiciadeteatro@gmail.com –www.kiwiciadeteatro.com.br

 

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Escracho censurado no Facebook

Pela segunda vez, o Facebook censurou o evento criado pela Articulação Estadual pela Memória, Verdade e Justiça para divulgação do escracho contra o atual presidente da CBF, José Maria Marin. Não seremos os primeiros, nem os últimos a serem vítimas desta prática.

Na sociedade contemporânea, cuja superexposição é valorizada, os espaços privados se fundem com os espaços públicos, contraditoriamente vê-se uma censura generalizada, principalmente referente a discussão de questões políticas. A exposição no mundo virtual/real parece só ser válida se para corroborar com um status quo de uma sociedade conformista, consumista e preconceituosa. Sob a falsa prerrogativa da “liberdade de expressão”, preconceitos de gênero, etnia, orientação sexual são disseminados, ao mesmo tempo em que se abafa as vozes dos oprimidos que vêem no meio virtual uma forma de articulação de resistência.

Em um mundo pautado pelas redes sociais, que serviram como plataformas de discussão e organização para diversas frentes de resistência no mundo todo, como o movimento Occupy Wall Street e a Primavera Árabe, somos surpreendidos pela censura neste ambiente, que ao que parece em um movimento retrógrado tem organizado suas políticas e termos de uso para servir aos interesses de grandes corporações – nossas informações privadas são dadas a grandes empresas para que propagandas sejam direcionadas exatamente de acordo com o nosso perfil, mas não podemos nos posicionar politicamente – afinal é uma “violação aos termos de uso”.

Facebook tem uma política de segurança no mínimo, passível de crítica – para não dizer duvidosa.  Esta política de segurança exclui fotos da Marcha das Vadias, porque são fotos de seios nus – dentro de um contexto político e claramente não sexual e não objetificado – ao mesmo tempo que permite fotos de violência explícita, ou fotos de corpos femininos objetificados. Considera fotos de mães amamentando seus filhos fotos de conteúdo explícito. As charges de Carlos Latuff uma “violação aos termos de uso”, ao mesmo tempo que memes preconceituosos e reacionários surgem cada vez em maior frequência e velocidade. E agora, de alguma forma, o escracho contra José Maria Marin foi considerado “impróprio” pela censura do Facebook.

A censura na rede social ainda é praticada do jeito mais sujo possível, através da delação. Uma pessoa que discorde politicamente de uma página pode denunciá-la, criando uma patrulha da moral e dos bons costumes no meio virtual – qualquer semelhança com o passado não é mera coincidência.

Deste modo, repudiamos a atitude do Facebook, que cada vez mais não esconde a faceta de ser uma grande corporação, voltada para proteger os interesses de poucos em detrimento da liberdade de muitos. A rede social é uma mídia e assim como outros meios não pode sofrer censura. Assim como os outros meios de comunicação deve ser regulamentada e democratizada.

Por isto, não importe quantas vezes o Facebook nos cale, dia 11/11 VAMOS ESCRACHAR JOSÉ MARIA MARIN!

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Quem é José Maria Marin?

José Maria Marin é o atual presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Mas sua trajetória política faz dele mais do que apenas outro cartola do futebol brasileiro. Marin começou sua carreira política elegendo-se vereador pelo Partido de Representação Popular, fundado pelo integralista Plínio Salgado, simpático do fascismo italiano. Nos anos 1970, foi deputado estadual pela Arena em São Paulo. Discursos seus na Assembleia Legislativa paulista na época pedem investigação para “os comunistas da TV Cultura”, e pelo “retorno da tranquilidade aos lares de São Paulo”. Outro, elogia a atuação de Sérgio Paranhos Fleury, delegado do DEOPS paulista, responsável pela tortura e morte de centenas de opositores da Ditadura.

O jornalista Juca Kfouri, divulga em seu blog esses discursos. A denúncia ao canal 2 aconteceu poucos dias antes de Vladimir Herzog, então diretor de jornalismo, ser torturado e assassinado nas dependências da Operação Bandeirantes (OBAN). Na Assembléia Legislativa, incomodava o fato da emissora não cobrir a inauguração do governo da Arena.

Entre 1982 e 1983, Marin foi governador do Estado de São Paulo, substituindo Paulo Maluf, de quem era vice. Na qualidade de governador do Estado, apesar de ter extinguido o DOPS paulista, foi alvo de várias denúncias sobre a forma truculenta com que tratava manifestações políticas. Uma vez extinto o órgão paulista, os arquivos da instituição foram transferidos por sua determinação à Polícia Federal. Com isso, estes arquivos só puderam ser abertos na década de 1990.

Sua trajetória política é bastante ilustrativa do apoio civil aos atos de repressão e violência cometidos durante a ditadura de 1964 a 1985. Assim como alguns de seus pares, Marin continua a dispor de grande influência política em nossa democracia atual. Recentemente, além de assumir a presidência da CBF no lugar de Ricardo Teixeira, de quem foi por muitos anos braço direito e sobre quem pesam inúmeras acusações de corrupção, Marin também passou a comandar o Comitê Organizador Local (COL) para a Copa do Mundo de Futebol de 2014.

O escracho contra esta personalidade tem o objetivo de deixar claro, basicamente, que repudiamos tanto a trajetória política de Marin, ligada ao autoritarismo, quanto o fato de uma personalidade com este histórico comandar uma das instituições mais importantes do esporte e da cultura brasileira. Manifestamos uma indignação profunda quanto ao fato de ser ele um dos principais responsáveis pela organização de um evento que será o retrato de nosso país aos olhos de todo o mundo em 2014.

Veja o discurso em que denuncia de Marin a TV Cultura

Veja o discurso em que elogiando Fleury

Veja mais informações em:

http://www.sidneyrezende.com/

noticia/176871http://blogdojuca.uol.com.br/2012/06/por-que-dilma-nao-recebe-marin/

http://www.vladimirherzog.org/vlado/index/biografia

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Mais um escracho pela Verdade e Justiça!

Vamos escrachar José Maria Marin!

Neste Domingo, 11 de novembro de 2012, vamos escrachar José Maria Marin! 

Domingo,

11/11 de 2012 

Concentração às 14h, nMASP 

José Maria Marin é hoje presidente da CBF e da COL, Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014. Mas poucos sabem que que é apontado como um dos responsáveis pela morte de Vladimir Herzog, então diretor de Telejornalismo da TV Cultura, cruelmente torturado e morto nas dependências do DOI-CODI em São Paulo, aparelho do Estado responsável pela repressão e pela tortura de incontáveis brasileiros que lutaram contra o Regime Militar.

José Maria Marin, naquele momento deputado estadual pela ARENA, não gostava do viés jornalístico da TV Cultura, que não dava tanta importância a inaugurações da Ditadura e noticiava misérias do nosso povo, disseminando “intranquilidade” em São Paulo, conforme reprodução do seu discurso no Diário Oficial, 16 dias antes de Vlado ser “suicidado pela Ditadura”.

José Maria Marin, que viria a ser vice-governador biônico de Paulo Maluf, tendo o substituído por um ano, dias antes já declarava, também na Assembleia Legislativa de São Paulo, que devia ser reconhecido o grande serviço que Sérgio Paranhos Fleury “e sua equipe” ofereciam ao Brasil. Fleury chefiou durante anos o DOPS, Departamento Estadual de Ordem Política e Social, responsável pela tortura, assassinato e ocultação de cadáveres de milhares de pessoas que ousaram lutar contra a Ditadura.

Neste domingo, 11 de novembro de 2012, às 14h, nos reuniremos no vão do MASP, na Avenida Paulista, para declararmos que não esqueceremos dos crimes da Ditadura Militar cometidos contra a população brasileira! 

Não admitimos que, até hoje, as circunstâncias que levaram à morte de Vladimir Herzog não tenham sido completamente esclarecidas e seus responsáveis não tenham sido punidos!

Não consentiremos que homens dessa estirpe continuem a gozar de tal influência no governo e na sociedade! 

A sociedade não tolera a impunidade, privilégio ofertado a homens como José Maria Marin! 

Neste domingo, 11 de novembro de 2012, vamos escrachar José Maria Marin!

ARTICULAÇÃO ESTADUAL PELA MEMÓRIA, VERDADE E JUSTIÇA DE SÃO PAULO

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Ato ecumênico em memória dos mortos e desaparecidos

 

Ato ecumênico em memória dos mortos e desaparecidos

Enviado por luisnassif, qua, 31/10/2012 – 17:27

Ato Ecumênico

A Comissão da Verdade Vladimir Herzog, da Câmara Municipal de São Paulo promove nesta sexta-feira, 2 de novembro, às 10h30, na quadra 047 do Cemitério de Vila Formosa um ato ecumênico em memória das vítimas de violência de agentes do Estado e pela apuração e punição desses crimes. O ato tem copatrocínio do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça, do Conselho Latino Americano de Igrejas – CLAI, do Conic – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil e da KOINONIA – Presença Ecumênica e Serviço. Inicialmente o ato seria apenas em homenagem aos mortos e desaparecidos políticos do regime militar, mas foi ampliado para reverenciar também a memória dos jovens mortos pela PM na periferia das cidades paulistas.

Com liturgia especialmente preparada pelo teólogo Luiz Carlos Ramos, o ato contará com a participação da Companhia de Teatro do Parnaso, do Coro Luther King, regido pela maestrina italiana Sira Milani, das cantoras Déia Kerr Affini, Lisete Spindola, Neuza César e de Xico Esvael e banda.

A Quadra 047 do Cemitério de Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo, era a vala comum onde eram sepultados indigentes e onde já se localizaram registros de pelo menos seis mortos e desaparecidos vítimas do aparelho de repressão da ditadura militar. Familiares de alguns desses mortos e desaparecidos participarão do ato, durante o qual serão distribuídos “santinhos” fúnebres com a história de dez deles e outros dez em memória de jovens mortos pela PM na periferia.

A cerimônia será oficiada por um grupo de sacerdotes de diversas religiões, todos usando as vestimentas rituais e paramentos específicos de suas crenças para atos fúnebres.

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Convocatória – Curso de formadores da Articulação Pela Memória, Verdade e Justiça em São Paulo

A Articulação Pela Memória, Verdade e Justiça em São Paulo deu um passo importante com a realização de sua I Plenária Estadual, realizada no dia 18 de agosto no Sintaema, com cerca de 113 pessoas e 46 organizações.

Foi um dia de amplos debates, os quais abordaram os temas da herança da ditadura na história do Brasil, da luta de procuradores do Ministério Público Federal pela punição a agentes repressores e torturadores do período, das limitações impostas pela não revisão da Lei da Anistia, das insuficiências da Comissão Nacional da Verdade, da necessidade em se esclarecer os crimes do Estado Brasileiro, e combater as conseqüências nefastas deste período à sociedade atual. Após as discussões, os participantes foram divididos em grupos de discussão, cujos resultados estão sintetizados nas propostas da plenária final.

Dando prosseguimento as tarefas da plenária, pela construção de um grande movimento pela Memória, Verdade e Justiça no estado de São Paulo, neste momento convidamos todas as organizações preocupadas em garantir as condições para o pleno desenvolvimento humano a indicarem militantes para participar do nosso Curso de Formadores. O objetivo é ampliar o número de militantes atuantes na disputa pela Memória, Verdade e Justiça nos diversos movimentos sociais, nos sindicatos, nas associações de bairros, nas igrejas, escolas e universidades.

O curso será realizado no dias 20 Outubro, na sede do DCE da Unifesp, próximo a Estação de Metrô Santa Cruz, em São Paulo-SP.

Os interessados devem enviar um e-mail para verdadejustica2012sp@gmail.com com nome, telefone/celular, organização/local de atuação, bairro/cidade, até o dia 14 de outubro.

Update: Programação do Curso:

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Debate sobre Comissão da Verdade da USP chega às arcadas da Faculdade de Direito

Um ato de lançamento do abaixo-assinado pela criação da Comissão da Verdade da USP reuniu, em 24/5, cerca de 200 pessoas nas arcadas da Faculdade de Direito (FD) do Largo São Francisco. Organizado pela Frente de Esquerda, articulação de estudantes da FD, o ato contou com a participação do Fórum pela Democratização da USP, constituído por Adusp, Sintusp, DCE-Livre, diversos centros acadêmicos e grupos como Levante Popular e outros.

O primeiro a falar no ato foi o professor Fábio Konder Comparato: “É preciso, com toda a tranquilidade, mas também com energia e decisão, que sejam abertos os arquivos da universidade para saber quem colaborou com o regime, quem ajudou para tantos sequestros e torturas”, afirmou. No seu entender, há um nexo entre o passado escravocrata brasileiro, o regime ditatorial implantado em 1964 e o presente de violações de direitos humanos. A escravidão estaria “na raiz da tragédia de 20 anos de regime empresarial-militar”, ao qual seguiu-se “um regime de total impunidade”.

O diretor da FD, professor Antonio Magalhães, rememorou seus tempos de estudante naquela unidade: “Falo como aluno nesse período da Ditadura Militar. Ingressei em 1965, último ano da Peruada [tradicional festa pública da faculdade]; em 1966 ela foi proibida. Tivemos colegas desaparecidos, colegas mortos, professores afastados, professores que tinham suas aulas censuradas, vigiadas, porque não se submetiam”. Ele lembrou que era aluno da pós-graduação, quando o coronel Erasmo Dias, secretário da Segurança Pública, tentou invadir a faculdade: “O diretor, professor Rui Nogueira, foi até a porta para impedir a entrada da Polícia Militar”.

A professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, mencionou a Comissão Nacional da Verdade (CNV) como modelo a descartar, pois decorre de uma “resposta atabalhoada” à decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que condenou o governo brasileiro a punir os agentes da Ditadura Militar e localizar os corpos de guerrilheiros do Araguaia. Deisy criticou a composição da CNV: “Poucas pessoas, escolhidas por critérios que jamais ficaram claros”. Ela elogiou o formato sugerido no abaixo-assinado que propõe a Comissão da Verdade da USP, por sua composição mais democrática e pelo recorte temporal das apurações, 1964-1985 (em vez do despropositado período 1946-1988, fixado na lei de criação da CNV).

Interdição

“É como se a Ditadura Militar não tivesse existido. Há uma interdição ao debate, um bloqueio sobre o que ocorreu durante a Ditadura”, destacou o professor Gilberto Bercovici (FD). Para ele, a Comissão da Verdade da USP terá de investigar “o papel desta faculdade e desta Universidade no regime militar”. Bercovici observou que a Congregação da FD, reunida após o golpe militar, manifestou apoio às Forças Armadas. “Queremos saber a verdade, nada mais do que a verdade. Essa conivência geral, esse acordo [em torno do silêncio sobre a Ditadura] vai se dissipar”, arrematou, depois de mencionar que foi um professor da FD (César Peluso) que liderou a decisão do STF de manter a impunidade dos torturadores, em 2010.

José Damião Trindade, procurador do Estado, ex-aluno da FD, reforçou os argumentos de Bercovici: “Há duas tradições nessa faculdade, a dos combatentes, dos professores e alunos que resistiram à Ditadura Militar, e a dos que foram coniventes, cúmplices”. Como exemplo da primeira vertente, citou (e homenageou) Arno Preis, militante de esquerda executado pela repressão política. Como exemplo da vertente oposta, mencionou Gama e Silva, ex-reitor que redigiu o Ato Institucional 5 (AI-5), de 1968. Ele aplaudiu a participação da juventude nos atos de execração de torturadores.

O professor Salomão Shecaira (FD) explicou que a Lei da Anistia de 1979 é ilegítima, porque, tendo participado de sua aprovação os chamados “senadores biônicos” (indicados pela Ditadura Militar), ela resultou de um “pacto com pessoas que não tinham sido eleitas”. Lembrou que, no período ditatorial, houve uma tentativa de invasão do Centro Acadêmico XV de Agosto: “Talvez o Magnífico Reitor, que tem afinidades com a polícia, tenha se esquecido dessa história”, ironizou.

O professor Jorge Souto Maior (FD) registrou que, depois que o reitor Hélio Lourenço foi destituído do cargo, o regime militar colocou à frente da Reitoria o professor Alfredo Buzaid (depois ministro da Justiça), egresso, como Gama e Silva, do Largo São Francisco. Na visão de Souto Maior, a lógica da espionagem vigente na Ditadura “é exatamente o que acontece hoje na USP”. Defendeu a retirada dos processos movidos contra sindicalistas e alunos, extinção do convênio com a PM, fim das fundações privadas e do vestibular, enfim “a derrubada de todos os muros, físicos e sociais”.

Campanha. Alexandre Pariol, representante do Sintusp, afirmou que a Comissão da Verdade da USP é necessária para impedir as violações atuais: “Um estudante eliminado é condenado para sempre. A legislação usada é a mesma da Ditadura Militar, não foi revogada”.

A professora Elisabetta Santoro, vice-presidente da Adusp, disse esperar uma vigorosa campanha em favor da Comissão: “É fundamental que esta Universidade reveja seu passado, para que possa construir seu futuro de forma mais consciente” e, assim, empreender “um processo de democratização forte e urgente”.

O deputado Adriano Diogo (PT), presidente da Comissão da Verdade criada pela Assembléia Legislativa, assinalou que a USP foi uma das universidades brasileiras mais atingidas pela repressão política, e que é preciso um movimento de rua para derrubar a Lei da Anistia. Também se manifestaram Lira Alli (Levante Popular), Fábio Pimentel (Coletivo Quem), Gabriel Landi (UNE) e diversos outros estudantes.

Fonte: Adusp

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